A caixa
- Marina Rodrigues
- 8 de jan. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 29 de jan.
Um presente, uma surpresa
Uma proteção, resistente
Faço uns furinhos e consigo respirar dentro dela
Decoro-a com um lindo embrulho
Um abrigo na tempestade, me aquece
O tempo passa e ela fica apertada
Não tem espaço para crescer
O conforto fica desconfortável
Já sou grande e não cabe minhas pernas esticadas
O que protegia agora me limita
Faço uma abertura e me estico
Uma caixa com pernas, mas ainda uma caixa
Não me destaco na multidão. Um mundo encaixotado
Ao longe uma figura se destaca
É estranha e diferente. Não é uma caixa
Ela incomoda quem está perto
Sua fluidez não faz sentido
Ela se estica, encolhe, embola e rola
Contemplo e desejo sua liberdade
Os limites da caixa me impedem de imitá-la.
O desconforto continua
Corajosamente me movo para fora.
Medo, vulnerabilidade, exposição
Continuo hipnotizada
Como ela consegue ser tão descontraída e largada?
A tempestade se aproxima
Busco abrigo na caixa
Ela encolheu! Ou fui eu quem cresceu?
Fecho os olhos. Me preparo para o impacto
A água escorre pelo meu corpo. Meus pés estão encharcados
Ensopada, contemplo a temida tempestade
Fora da caixa não é tão escuro e assustador
Deixo-a para trás. Ficou pequena e inútil.




























É lindo e inspirador te ver transbordar! Obrigada por compartilhar!
Lindo texto ! Real