Lições de um pé de Lavanda

Eu gosto muito de plantas, mas confesso que não entendo muito sobre elas. Porém, me agrada ver as flores desabrochando e o verdinho de suas folhas me preenche com uma paz, dando uma sensação instantânea de ar puro. E há um tempo eu peguei um galho de lavanda para fazer uma muda, e um pouco antes de ir para os EUA, o plantei em um vaso e deixei-o sob os cuidados da minha família. Ao retornar, ele já estava grande e dando algumas flores.
Porém, vendo que ele tinha potencial para florir ainda mais, procurei na internet por algumas dicas para estimular meu pezinho de lavanda a ficar bem cheio e florido. A solução unânime era dar uma boa podada. No vídeo a que assisti, o jardineiro era bem mais corajoso do que eu. Ele cortava galhos grandes e cheios sem medo e comprovava o resultado, mostrando um pé bem mais cheio do que antes.

Ainda um pouco incrédula, fiz uma poda mais tímida. Fiquei com dó de tirar todas as flores tão bonitas e que nasceram depois de muito cuidado. Por isso me contive de tirar apenas alguns galhos secos e, onde as flores já estavam secando, cortei na expectativa de ver o crescimento. Para minha surpresa, o pé floriu; a lavanda está bem mais cheia do que antes. Olhando pra ela agora, tenho vontade de arriscar uma poda um pouco mais radical para continuar crescendo e florindo.
Isso me fez lembrar do versículo de João 15 em que Jesus diz: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor” (João 15:1). Essa é uma passagem bem famosa, e se você também conhece um pouco de Bíblia, provavelmente já a leu ou escutou alguém falar sobre ela. Mas o que me marcou aqui não foi o óbvio. O texto é bem claro ao dizer que “todo ramo que em mim não dá fruto, ele corta” e é lançado no fogo (João 15:2,6), e Jesus afirma que “nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira” (João 15:4).
No entanto, sempre interpretei o dar fruto como um resultado do meu trabalho, com essa ideia de que preciso estar fazendo ou servindo para ser útil e não acabar sendo cortada. Mas Deus, como o excelente escritor que é, explica muito bem o que são os frutos — e não são obras ou ações externas; são as virtudes do Espírito: “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, amabilidade e domínio próprio.” (Gálatas 5:22-23). Foi só depois de analisar um pouco mais a fundo e investigar minhas fraquezas e inseguranças que percebi que estava tentando agradar a Deus pela força do meu trabalho, mostrando resultado, sendo uma pessoa produtiva. Claro, isso é bom, mas não é o foco da vida com Deus. O foco da vida com Deus é glorificar Seu nome, e isso só é possível se eu estiver frutificando esse caráter de Cristo.

Mas como frutificar? Se no livro de João Jesus diz que é a videira e nós os ramos, o princípio é claro: permanecer em Jesus é a chave (João 15:5). Assim como a flor que é cortada do seu caule para montar um lindo arranjo um dia morre e perde sua beleza por estar separada da fonte, assim somos nós se nos afastarmos dele. Mas o ensino não acaba aí; Jesus completa dizendo que quem o ama guarda e obedece aos seus mandamentos (João 14:15, 15:10). E ainda conclui qual é o seu mandamento: “O meu mandamento é este: Amem-se uns aos outros como eu os amei” (João 15:12). O amor de Cristo não foi um amor condicional, mas sim sacrificial a ponto de ser impossível de ser replicado por nossas próprias forças. Cristo deixou a sua glória, veio ao mundo como homem, entregou a sua vida para que caísse sobre ele a nossa condenação pelo pecado e ressuscitou ao terceiro dia vencendo a morte. Como a Palavra diz: “Aquele que não tinha pecado, Deus o fez pecado por nós” (2 Coríntios 5:21).
Esse é o Evangelho, e quanto mais aprofundo na Palavra e a estudo, mais vejo que tudo está conectado com ele. Não tem uma parte da Bíblia sequer que se contradiga ou que não aponte para o plano da salvação de Deus. Portanto, quando olho pra minha vida e analiso os meus altos e baixos, posso ver a poda de Deus acontecendo para que eu dê ainda mais fruto (João 15:2), para que eu me aproxime mais dele, e quanto mais me aproximo, mais quero permanecer nele. Só em Deus eu consigo encontrar a força para mudar os meus hábitos ruins, e só o Espírito Santo pode me convencer do pecado e me levar ao lugar de arrependimento (João 16:8).
Assim como diz em Eclesiastes 12:13: "Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos, pois isso é o essencial para o homem." Eu concluo que enfrentar os dias bons e ruins, tratar feridas do passado, mudar o meu caráter, tudo isso são sinais da poda de Deus em minha vida. Tudo o que Deus espera de mim é apenas um coração obediente. Não preciso ser produtiva o tempo todo, nem buscar minha satisfação em prazeres passageiros. Apenas me apresentar diante Dele com um coração ensinável (Salmos 139:23-24) e experimentar as boas-aventuranças de viver uma vida grudada à videira.
Dar fruto é permanecer em Deus.




Volta e meia somos tentados a pensar que precisamos fazer por nossas próprias forças. Estar conectado a videira é mais simples, mas não é fácil por causa de tantas